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Teoria do Apego
(John Bowlby e Mary Ainsworth)
A Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby e posteriormente
elaborada por Mary Ainsworth, é uma teoria psicológica que descreve a natureza e
o desenvolvimento dos vínculos emocionais entre crianças e seus cuidadores
primários. Essa teoria enfatiza a importância dos primeiros relacionamentos na
vida de uma criança e como esses relacionamentos moldam seu desenvolvimento
emocional e social.
A seguir estão os principais conceitos da Teoria do Apego:
Instinto de Apego:
Bowlby propôs que os seres
humanos têm um instinto inato para procurar proximidade física e emocional com
uma figura de apego quando se sentem ameaçados, ansiosos ou inseguros. Esse
instinto é fundamental para a sobrevivência e o bem-estar da criança.
Figura de Apego:
Refere-se à pessoa (ou
pessoas) que a criança desenvolve um vínculo emocional primário, geralmente os
cuidadores principais, como os pais ou outros membros da família que desempenham
um papel significativo na vida da criança.
Modelos Internos de Trabalho:
Bowlby sugeriu que as crianças
desenvolvem representações mentais internas de si mesmas, de suas figuras de
apego e dos relacionamentos interpessoais com base em suas interações com os
cuidadores. Esses modelos internos de trabalho influenciam como a criança
percebe e responde aos relacionamentos ao longo da vida.
Comportamentos de Apego:
São comportamentos observados
em crianças que buscam proximidade e conforto de suas figuras de apego quando se
sentem ameaçadas, ansiosas ou desconfortáveis. Esses comportamentos podem
incluir chorar, buscar contato físico, buscar o olhar do cuidador e procurar
consolo.
Estilos de Apego:
Mary Ainsworth expandiu a
teoria de Bowlby ao identificar diferentes padrões de apego observados em
crianças durante a infância. Ela desenvolveu a "Situação Estranha", um
procedimento de observação que permitia identificar três principais estilos de
apego: seguro, ansioso-ambivalente e evitativo. Posteriormente, foi adicionado
um quarto estilo, o apego desorganizado.
Apego Seguro:
Crianças com apego seguro se
sentem confortáveis explorando o ambiente quando o cuidador está presente e
procuram o cuidador em situações de estresse, confiando na disponibilidade e
sensibilidade do cuidador para fornecer conforto e apoio.
Apego Ansioso-Ambivalente:
Crianças com apego
ansioso-ambivalente mostram ansiedade e resistência em relação à separação do
cuidador, mas também ambivalência quando o cuidador retorna, alternando entre
busca de proximidade e rejeição.
Apego Evitativo:
Crianças com apego evitativo
mostram pouco ou nenhum interesse em se aproximar do cuidador, mesmo em
situações de estresse, e podem parecer indiferentes à sua presença.
Apego Desorganizado:
Crianças com apego
desorganizado exibem comportamentos contraditórios e confusos em relação ao
cuidador, como procurar proximidade e simultaneamente evitar o contato visual.
Essa teoria é amplamente aceita e influente na compreensão do desenvolvimento
infantil, bem como na terapia familiar e no aconselhamento parental. Ela destaca
a importância do cuidado sensível e responsivo na promoção de relacionamentos
saudáveis e seguros entre pais e filhos. |